28 de janeiro de 2010

Abuso sexual, você sabe que existe ou faz de conta que não é assunto seu?

6 Comments

Assunto polêmico porém urgentíssimo para ser alardeado e combatido. No primeiro momento ao se encontrar lendo sobre o assunto dá uma vontade imediata de parar e ir ver algumas coisa sobre flores, decoração, paisagem, algo leve e que distraia. Mas se é uma mãe protetora e defensora de sua cria, não vai virar pro lado. Peguei esse post do blog Ja é da amiga Lívia (Litha)Xavier . No próximo post farei minhas considerações e alertas . Fiquem com o texto de Joana Maranhão, nadadora brasileira que trouxe a público sua experiência de ter sido abusada sexualmente aos 9 anos de idade por seu treinador(!!!). Sim, o treinador. Pessoa que deveria ser de máxima confiança.

“Infelizmente, ou felizmente não estou presente nesse momento. Mas tenho absoluta certeza de que é por uma boa causa. Diferente do que muitos pensavam e desejavam, estamos, digo estamos pois não credito meus méritos na natação a mim mesma, portanto, ESTAMOS, classificadas para a Olimpíada de Pequim.

O quero dizer com essa carta é tudo aquilo que eu diria se estivesse presente. Diria ao Sr. Eugênio que apesar dos fatídicos eventos que ele me fez passar no ano de 96 me fizeram muito mais forte.

Quero dizer que o fato dele ter me despido na cama da própria esposa e ter me bolinado enquanto eu chorava e pedia para parar ainda é um fato que me enoja e me dói, mas isso não me derrotou.

Eu hoje tenho 21 anos, sou uma mulher, uma adulta que passou por muitas coisas, sou dependente de anti-depressivo e apesar de tudo isso, estou aqui hoje, mesmo que por meio de palavras pronta pra luar por justiça.

Porque se o medo e a vergonha me calaram durante 12 anos, não me calam mais. Mais forte do que a vergonha, o medo, a dor de lembrar de tudo aquilo, mais forte do que tudo isso está a minha vontade de fazer justiça.

Já fiz na água, quando duvidaram de mim e agora anseio por justiça na vida. Porque nenhuma criança, aliás, nenhum ser humano merece ser tocado daquela forma. Pedofilia é uma doença e é triste que um homem não tenha tido a capacidade de se controlar diante de uma criança.

Se eu disser que não tenho mágoas do que sofri, vou estar mentindo, sou humana e não consegui até hoje me libertar desses sentimentos que vez por outra me tomam o sono e me deixam presa num pesadelo que infelizmente eu vivi na vida real.

Só peço que pelo amor de Deus, peço que a Justiça não deixe esse homem encostar em mais nenhuma criança. Não quero acabar com a vida de ninguém, tenho muita pena dos familiares desse homem que vão morrer acreditando na inocência dele, e eu não os culpo, pois meus próprios pais acreditavam e é por isso que eu vivia na casa dele.

Confiança! Eu confiava naquele homem, creditava minha evolução no esporte a ele e quando comecei a ser tocada achava que a culpa era minha, achava que eu tinha feito algo errado, que estava pecando, quando na verdade eu era a vítima.

Também não gostaria que ninguém tivesse pena de mim, apenas que ouvissem o meu apelo por justiça, por mim e pelas outras duas meninas que prestaram depoimento. Outras duas infâncias perdidas, outras duas inocências jogadas no lixo por uma doença incontrolável."

Fonte: http://www.lancenet.com.br/noticias/08-05-27/301167.stm

Esta carta foi escrita pela nadadora pernambucana Joanna Maranhão que aos 21 anos decidiu tomar uma decisão que poucos tomariam: denunciar publicamente o abuso sexual praticado contra ela pelo seu técnico, em Recife (PE), em 1996, quando ela tinha apenas 9 anos.

O abusador sexual está em todas as classes sociais e, na maioria das vezes, é uma pessoa conhecida da família e da vítima, que nele confia. Na maioria dos casos, quem abusa é o pai ou o padrasto da vítima e não é só com meninas que acontece, com meninos também! O abusador se aproveita da confiança que a criança ou o adolescente tem nele, ou até da autoridade, para abusar. Essa pessoa pode ter algum problema psicológico e necessidade de se tratar.

Mas o que é abuso sexual?

É um crime e não é só transa que é abuso, pedidos estranhos para tirar a roupa ou sentar no colo, passar a mão, mostrar pornografia ou exibir órgãos sexuais também são exemplos de abusos. A vítima deve julgar se se sentiu abusada, se alguém lhe fez algo contra a sua vontade.

O depoimento de Joanna mostra bem os sentimentos das vítimas de abuso sexual, sentimentos bem conhecidos por especialistas e, sobretudo, por aqueles que sofreram tal violência: confiança no abusador, culpa, nojo, remorso, vergonha, medo, dor, depressão. A vida de alguém que sofre ou sofreu esse tipo de abuso pode ser muito prejudicada e marcada, algumas pessoas podem apresentar os sinais (Fonte: Adaptado de Revista Capricho, nº 1083):

1. Demonstrar ter pavor ou muito interesse por sexo. Ter dificuldades em se relacionar.

2. Ter problemas para dormir.

3. Medo de ficar sozinho(a). Muitas meninas têm medo de ficar sozinhas com vários homens.

4. Pode ficar isolado(a) e sem ânimo para fazer coisas que gosta.

5. Evitar exames físicos ou apresentar manchas ou arranhões (ou outros sinais de violência física).

6. Tornar-se agressivo(a), pessimista, não cumprir ordens, matar aula...

7. Começar a tirar notas baixas na escola e falta de concentração nas aulas.

8. Pode tentar se cortar, por exemplo (por achar o corpo sujo, contaminado...)

Nem todos apresentarão esses sinais e algumas pessoas podem apresentar sinais que não foram citados.

O que fazer no caso de um abuso sexual?

Enquanto uma providência não for tomada, o abuso pode continuar, por isso a importância de procurar ajuda! O primeiro passo é evitar ficar só com o abusador e, em seguida, contar a algum adulto de confiança (mãe, pai, outro parente, alguém da escola...infelizmente, algumas vezes essas pessoas não acreditam) ou a algum profissional especializado:

Psicólogos: você os encontra em hospitais públicos, universidades e unidades de saúde.

Disque 100: é o Disque denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual. A ligação é de graça, anônima (não precisa se identificar), pode ligar de qualquer estado das 8hs às 22hs inclusive em fins de semana e feriados.

Hospitais e unidades de saúde: alguns profissionais (como médicos) são especializados em atendimento à violência sexual.

Como superar?

O abuso marca a vida da vítima e pode atormentá-la com lembranças, por exemplo. Não há receita de superação, cada pessoa deve procurar sua saída. O importante é não se calar, não guardar para si este sofrimento e impedir que se repita denunciando o criminoso. Conversar, desabafar ajuda bastante, pois é muito difícil se livrar do sentimento de culpa que a vítima carrega. Quem abusa é o culpado! E deve ser tratado e punido. Procurar não deixar de fazer o que gosta, ver os amigos, não deixar de lado os estudos também ajudam a seguir em frente. É difícil, é barra, o peso nas costas é grande...mas muitas pessoas conseguiram dar a volta por cima, na internet existem vários depoimentos inclusive o de Joanna Maranhão. A vida continua com as cicatrizes ou não.

Mais sobre o assunto:

http://jovem.ig.com.br/igirl/noticia/2008/04/15/abuso_sexual_1273032.html

http://oglobo.globo.com/esportes/mat/2008/02/12/joanna_maranhao_volta_ao_brasil_fala_do_abuso_sexual_que_sofreu-425595937.asp

6 comentários:

Carolina Pombo 30 de janeiro de 2010 17:43

Nossa! Excelente post! Realmente é difícil ler esses relatos, mas é muito mais importante quebrar o tabú e falar sobre esse assunto do que continuarmos fingindo que isso nunca pode acontecer com alguém próximo. Parabéns pela iniciativa!

Carolina Pombo 30 de janeiro de 2010 20:14

Aproveito para deixar a dica de meu último post sobre "Como criar uma criança tranquila":
http://enquanto-esperamos.blogspot.com/2010/01/como-criar-uma-crianca-tranquila.html

Obrigada!
Beijos

Livia Luzete 6 de fevereiro de 2010 17:03

Sim Carolina, é difícil. Até para quem só vai divulgar. O tema é pesado e triste. Pior é quando quem finge não saber é a própria mãe!!!E mais monstruoso ainda é quando o crime é praticado pelo pai ou padrasto!!!E essa mão se faz de morta. Obrigada pela força.

Amanda 1 de março de 2010 19:49

Olá, sou a autora do texto e fiquei muito feliz com a notícia de que ele seria divulgado em um blog para mães ^^. Muitas vezes a mãe não acredita na criança ou no adolescente que está sofrendo abuso e o criminoso continua abusando. Temos que ter muito cuidado, pois o abuso sexual em casa é mais comum do que imaginamos. Só uma correção, o blog é feito pela Lívia e por mim, Amanda, ok? ;D
Muito obrigada!

Livia Luzete 30 de março de 2010 20:03

Olá Amanda, que bom que você veio nos dar uma força. E obrigada por informar seu nome..eu não sabia...rsrsrsr
Eu é que agradeço pela iniciativa de vocês em expor esse assunto que não deve ser acobertado dando cada vez mais espaço para essas pessoa psicóticas.

Mamãe caprichosa 5 de abril de 2010 14:57

Oi Livia!
Dá até um arrepio na gente pensar que alguém possa ser capaz de algo tão bestial!!! Eu procuro alertar ao máximo, respeitando a idade deles,sobre a pedofilia!! Eu sei que eles não conseguem entender tudo, bom, nem eu conto tudo, mas deixo claro que certas brincadeiras não são toleráveis!!
Abs
Carla

Postar um comentário