29 de abril de 2010

Palmada: sim ou não?

12 Comments

Sou uma mãe totalmente contra a palmada. Acredito tenho o papel de educar meus filhos com base no diálogo e na observância de limites, dessa forma a necessidade de palmadas ou "corretivos" físicos simplesmente deixam de existir.

A questão de bater ou não no filho, ou a aplicação ou não das palmadas é algo que volta e meia tem sido debatida em publicações voltadas à educação, como também em diversos blogs maternos.

Hoje a motivação para que eu volte a escrever sobre o tema veio do artigo "A polêmica da palmada" (Caderno Equilíbrio - Folha de São Paulo 29/04/10) e da Europa, que atualmente debate uma lei para proibir os pais de bater nos filhos - o que tem gerado incômodo em muitos pais ingleses e franceses que resistem ao abandono da palmada.

Até o momento mais de vinte países já aderiram a campanha que proíbe por lei qualquer tipo de castigo corporal (inclusive a palmada no bumbum) e outros oito países estão em via de assinar o compromisso.

Elda Moreno, uma das representantes do Conselho Europeu diz que "punições corporais mandam a mensagem errada de que você pode usar de violência para obter o que quer", mas também faz o seguinte questionamento: "onde está o limite?".

O primeiro país a proibir as palmadas por lei, em 1980, foi a Suécia e mesmo assim foi necessária uma geração para mudar a mentalidade das pessoas, pois alguém que é confrontado com a proibição da palmada questiona a forma como foi criado e depois examina seu comportamento como pai ou mãe. Psicologicamente lidar com essas questões é bem difícil.

Um estudo já bem conhecido por nós mães é o que mostra que crianças de três anos que levam palmadas frequentemente tornam-se mais agressiva aos cinco anos. Além disso, crianças que apanham mais apresentam mais sinais de agressividade e em outras fases bullying, desejo por crueldade, brigas e ameaças. O estudo que é assinado pela pesquisadora em saúde comunitária, Catherine Taylor, da Universidade Tulane (USA) será apresentado na revista "Pediatrics" e levou em conta o depoimento de 2.500 mães.

A professora de psicologia da USP, Miriam Debieux Rosa, diz que a força física não é um bom método de educação, mas dizer que pais que nunca perdem o controle são pais perfeitos é um engano. Educar pela palmada é autoritário e pode gerar pessoas medrosas e submissas ou que reproduzam esse padrão de se impor pela força. Mas transformar em lei um excesso eventual é exagero.

Particularmente penso que a decisão de proibir por lei que pais apliquem palmadas nos filhos não resolve o problema. Há outros tipos de violência latente, inclusive a violência não-verbal. Embora seja contra a utilização da palmada não vejo como a medida pode trazer benefícios como método educativo. Os pais que utilizam a palmada deixarão de utilizar outros corretivos como forma de educar seus filhos? Deixarão de ser imediatistas e tentarão educar seus filhos com base no diálogo? Será que disponibilizarão tempo aos filhos para que educação possa realmente acontecer?

E você, o que pensa sobre tudo isso?

Mais sobre palmada, aqui.
Palmada Educa? aqui.
Palmada educa ou deseduca? aqui.

12 comentários:

Lia 29 de abril de 2010 15:25

Não tenho opinião formada sobre isso, porque minha filha tem só três meses e um coração imaculado. A princípio não vou bater e considero que outras formas de disciplina são mais eficazes. Mas não posso afirmar categoricamente que, em alguns casos, com algumas crianças, uma punição física não seja a única a surtir efeito. Eu apanhei (nada de cinto, de deixar marcas) e não acho que isso tenha me tornado uma pessoa violenta.
Acho que o caminho natural do amadurecimento social passa por ir deixando de lado a força e valorizando o diálogo.
Mas acho que proibir palmadas não protege nenhuma criança. Pode até dar margem pra exageros, igual assédio sexual nos EUA, onde pegar na mão de uma criança pode gerar um processo. Machucar crianças já é crime inclusive no Brasil - lesão corporal. Isso é passar dos limites, e tem que ser proibido mesmo. Mas é necessário muito bom senso pra que essa proposta extrema de lei não traga mais mal do que bem.

Micheli 29 de abril de 2010 15:44

Acho esse assunto extremamente polêmico. A mente do brasileiro acredita cegamente que é a palmada que educa. Qdo minha filha começou com birras com um ano, ouvi de todas as pessoas com quem conversei que era só dar umas palmadas que resolvia. Mas percebi claramente que não é assim. Tb tem horas que a gente fala, fala, mas a criança não dá bola e quase se machuca com a birra e, se não for um "tapinha" para que ela "acorde", ela mesma se machuca sozinha. Eu, particularmente, prefiro não bater. Meu marido fica perdido, tem tentado fazer o que eu penso, mas ele não consegue ser tão efetivo em fazê-la entendê-lo. Outro dia, sem motivo, ela me deu um tapa na minha cara. Repreendi com um tapinha na mão. Por mais que eu seja contra, em uma hora dessas o que a gente faz? Qdo vi já tinha feito. Então tb acho que criar uma lei assim não vai resolver a questão, não vai reeducar os pais, não vai ensinar aos pais como dar limites aos filhos. Sim, pois criança sem limite tem maior possibilidade ainda de virar "marginal". O que acontece é que qdo o pai bate e não surte efeito, ele bate mais e mais forte. Acho que aí é que mora o maior perigo da palmada. O que não pode é bater e machucar a criança, o exagero, sim, é prejudicial.

Lua Ugalde 29 de abril de 2010 16:13

Sou contra a palmada tbm, primeiro por achar que quando o pai necessita da palmada para colocar um "limite" em seu filho, quer dizer que ele não teve autoridade suficiente nos demais métodos, ou seja, bater é um ato de desespero!
Sei que em determinado momento poderei apelar para esse método, mas não ou nenhum pouco a favor daqueles pais que tudo que a criança faz de "errado" é corrigido com a palmada, acho que a criança não cresce respeitando,mas temendo os pais.
Quanto à lei, não sei se dará certo na Europa, mas ainda bem que nao tentam ainda aplicar essa lei por aqui.Afinal, já basta a vermos todos os dias as pessoas desrespeitando a lei contra violencia infantil. E nesse caso não digo somente os pais que espancam, mas os visinhos, parentes e amigos que presenciam os maus tratos e fecham os olhos para o ato criminoso.
Se não conseguimos controlar algo que incomoda a quase todos( que é a violencia física pesada contra a criança)imagina um ato culturalmente aprovado como a palmada!

Journal de Béatrice 29 de abril de 2010 18:27

Priscila!! Começou com o pé direito no blog, com um assunto hiper polemico, mas não menos importante!! Vejo muitas cenas aqui que me deixam chocada. Os franceses realmente têm um jeito muito rispido de falar com as crianças (não estou generalizando, logico que nem toooodos são assim) e não raro vejo tapas corretivos no meio do mercado, na rua, no vizinho , etc... Estou me preparando psicologicamente para enfrentar a chamada "educação não violenta". Me proponho, juntamente com o meu marido, em educar a nossa filha sem palmadas, seja no bumbum ou o "inofensivo" tapa na mão. De modo consciente sabemos que isso é tarefa dificil, pois temos, também, que trabalhar o nosso "eu" interior, uma vez que carregamos conosco a educação que aplicou os tapas educativos e que, no final das contas, "deram certo". Trilhar um caminho diferente do que foi feito pelas nossas mães e avos realmente não é tarefa facil e, praticamente, pioneira! Mas estamos tentando, indo em frente, apostando no dialogo, dose extra de paciência e compreensão e pulso firme para impor os limites. Acredito que ler artigos sobre o tema, livros e, se possivel, participar de grupos presenciais que tratam sobre a forma de comunicação e educação não vilenta é um bom alento e suporte para nos, pais.

Letícia Volponi 29 de abril de 2010 22:15

Olha, eu nunca aderia à palmada aqui em casa. Tento contornar as crises de birra com muito bom humor e criatividade e sempre dizendo que se ela bate nas pessoas, essas pessoas têm direito de bater nela também. até hoje sempre funcionou.

Carolina Pombo 30 de abril de 2010 14:30

Também sou totalmente contra castigo físico, mas acho que o velho método de colocar um pouquinho na cadeirinha para pensar vale a pena... É muito importante dar limites, mas a palmada parece o ato desesperado de um pai ou mãe sem autoridade. Ter autoridade é ser respeitado e não temido.

Boa discussão!

Clarinha 7 de maio de 2010 15:38

Concordo com a professora da USP. O melhor é educar na base do diálogo, mas transformar a palmada em crime é um pouco exagerado. O interessante seria criar formas de orientar os pais a perceber outras formas de educar a criança. Como fazer isso? Essa é outra boa discussão!

Gostei muito do blog e estou seguindo a partir de agora. Serei mãe de primeira viagem em breve e também escrevo sobre minhas experiências. Gostaria, inclusive, que vcs adicionassem o endereço do meu blog à categoria Filhas e Filhos: meumeninotigre.blogspot.com

Obrigada e abraços carinhosos!

Giovana 19 de maio de 2010 14:06

Ola, tambem sou contra bater, concordo que crianças violentadas, tornam-se adultos violentos, mas daí tornar crime um tapinha eventual no bumbum, ja é exagero.

Acho que dá pra encontrar o equilíbrio aí.

Bom, acabei de conhecer seu blog e gostei muito, gostaria de participar da categoria Cotidiano, estarei sempre por aqui apartir de agora.

www.pedroamormaior.blogspot.com
Bjs

Danielle 20 de maio de 2010 11:08

Sinceramente... não é uma lei que vai mudar a mentalidade de ninguém... Até pq quem vai fiscalizar o que acontece dentro da minha casa? Quem vai entrar sem a minha autorização? Niguém... É necessária uma mudança de mentalidade.
Sinceramente, eu acho que uma palmada bem dada não faz mal nenhum a auto estima da criança, não traz traumas futuros, nem nada do gênero... Mas é uma palmada...
Acho que hoje em dia existem coisas muito mais importantes para serem transformadas em lei.
A discussão é sempre válida, campanhas educativas também, mas uma lei, neste momento, é ineficaz...

Mamãe Fê 30 de maio de 2010 13:34

Olha... sou contra a agressão. Mas acho que pior ainda é a falta extrema de limites. Penso que em raros casos uma palmada é admissível sim, não diminiu ninguém nem causa traumas. Falo de uma palmada, não de uma surra!
Acho a lei impraticável (uma vez que não teremos dentro de cada casa alguém para vigiar o que se passa) e desnecessária. Deveríamos então investir e educação para os pais, para a população em geral. Daí sim o comportamento tente a mudar naturalmente.

Mamãe caprichosa 17 de junho de 2010 16:14

Sinceramente, também não vejo nenhum mal em dar uma "palmadinha"!! Já entrei em muitas discussões por causa disso e já fui chamada até de agressora por causa da tal palmada...
Eu vejo a palmada como um aviso....daqui você não pode passar, quando a criança está quebrando todos os limites!!!
Eu sou super a favor de conversar...acredito piamente que o diáloga é o melhor caminho, mas tem horas que eles estrapolam qualquer limite!!!
A própósito, a meu ver, existem outros tipos de violência contra a criança que são totalmente aceitos e até valorizados pela sociedade.
Poderia citar alguns:
Deixar a criança o dia inteiro na tv/dvd, não se preocupar com educação alimentar, erotizar a infância (que eu considero o pior), transformá-los em mini consumistas desde pequeninos, e por aí a fora.....a palmadinha perde longe para esses abusos contra a infância!!
Priscila, nada pessoal....te desejo muita sorte no blog!!
Abs
Carla

princesnadya 24 de outubro de 2010 16:54

oi sou mãe de anjinhos lindinhos nuca precisei barter ou critar com eles,eu os pego pelo braço ponho na cadeira com verso baixinho com eles e os deixo olhando pra parede ou quando brigçao um com o outro deixo os dois olhando um pro outro e 8 dias de castigo.(eu tenho uma menina chamda Serena e outras duas Serenety e Serenia)

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